segunda-feira, 19 de março de 2012

Bad Side

Quando nos apaixonamos, resumidamente funciona assim:
 1-      Você vê a pessoa e se apaixona (vou chamar de X); 
 2-      Quer que X (uma pessoa comum) corresponda às suas expectativas (que na verdade são quase delírios); 
 3-      X se interessa por você e então, tenta te mostrar o seu melhor lado, fazendo teatrinho; 
 4-       Se passa algum tempo e então X se cansa de fazer teatro e começa a ser ela mesma; 
 5-      Você se decepciona com X pois ela não corresponde ao seu ‘delírio’ do que X seria. 
 6-      A Linda ‘história de amor’ acaba.

Da próxima vez que eu me apaixonar, quero fazer o caminho inverso.
Eu quero que ele veja meu pior lado. Meu lado mais sujo, mais humilhante, mais obscuro, mais desumano.
Quero desapontá-lo.
Da próxima vez que eu me apaixonar, quero mostrar meus piores defeitos.

Que eu tenho o pavio curto e a boca suja.
Que não dou a mínima pro mundo e passo o dia no sofá de pijamas ronronando feito um gato.
Que as vezes sou enjoada e não estou nem aí se você acha isso chato.

Quero que ele veja como sou egoísta e fria.
Como sou mimada e rebelde.
Quero mostrar o dom estranho que eu tenho de pronunciar poucas palavras e fazer uma  pessoa parecer um lixo, e com um simples olhar humilhar o meu interlocutor.

Quero que ele veja a minha incapacidade para me relacionar com as pessoas... como sou antissocial e (absolutamente) sem interesse na vida de NINGUÉM.

E se ainda assim ele achar que vale a pena tentar, mostro então meu lado bom...
Acho que vai facilitar para ambos os lados, né não?
Poupa tempo e machuca menos o coração ^^

domingo, 11 de abril de 2010

I hate the world today...

Bom, hoje eu acordei com as forças (quase) renovadas.
Acordei modo de dizer, pois acordar, acordar mesmo só acordei depois que jantei.
Liguei meu player no último (às 20h os vizinhos a-m-a-r-a-m) e coloquei uma única música, que todos pensam ser da Alanis, mas não, é da Meredith Brooks... Bitch... Separei e cataloguei meus DVD's e meus livros também, organizei meus documentos e joguei fora todas as fotos das pessoas que deixaram de ser importantes para mim.
A música entrava pelos meus ouvidos, mas não era suficientemente alta para que eu não ouvisse os gritos na minha cabeça, com todas as mesmas indagações. Bom, elas que pediram, passei as mãos no fone de ouvido e pronto. Quero ver alguém gritar mais alto que isso!

Eu estava esperando que as batidas do violão vencessem a batalha. Mas foi em vão...
Talvez demore um pouco mais, talvez a falta de alguém pra me suturar, esteja me fazendo falta afinal...

Mas... o que se pode fazer? De repente as coisas podem mudar...
Nunca se sabe...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Um feitiço por dia

Um feitiço por dia,
É o que preciso pra me manter aquecida.
Um feitiço por dia,
E a vida sorri para mim novamente.
Vamos lá! não se perde o dom assim tão fácilmente,
Sorria, ergua sua varinha e deixe a magia fluir!
Junte seu caldeirão, vassoura e amuletos,
Dê adeus a tudo que te desconecta da essência...
E enfim, parta... deixe para trás o que passou...
Feche os olhos e deixe a dor escorrer...
E então, erga sua varinha...
Porque só preciso de um feitiço por dia pra me manter aquecida...
Um feitiço por dia,
É tudo o que eu preciso...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Tamanho Exato

E aquele abraço? Oh! aquele abraço,
Tinha o tamanho exato.
Tornou-se cada vez mais complicado
Não ter-me em seus braços
Tornou-se cada vez mais difícil
Não perder-me em seu rosto.
Vou assim, acompanhando seus traços,
Tão bem delineados... sempre expressivos e acentuados.
Mas por baixo das fortes linhas, sempre o cansaço...
Sempre uma fragilidade...
Sempre algo confuso, mal resolvido,
Sempre distante dos meus laços...
  Mas o seu abraço... seu abraço tinha o tamanho exato...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Rabisco

Nem tudo deve ser dito. Debatido, explicado.
Em momentos sutis, gestos podem ser sutis, devem ser sutis.
Existem momentos, em que o comentário destrói toda a ação.
É fazer, não é falar.
No fim... ter a razão não significa necessariamente que os outros tenham que saber dissso.

Ainda estou aprendendo... por vezes tropeço, mas a prática me fará boa nisso.

-_-'

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Lavar a alma


Eu quero mais é que chova
Eu quero mais é que você se foda
Eu quero mesmo é que você me atraia, me traia
Eu quero mais é que você caia.

Fotografia

O carro parou no fim da rua, sob a luz de um poste qualquer. As mãos apertaram o volante tentando amenizar a tensão.


Quanto tempo mais isso poderia durar? Um mês? Mais? Difícil dizer. Jogou a cabeça pra trás e bateu no encosto do banco com um barulho surdo. Respirou fundo e antes de deixar o ar sair, soltou o cinto e pulou pra fora do carro. Era sempre assim, toda vez que se aproximava dali era como se preparar para tomar um injeção, não é tão dolorido e tão pouco agradável.



Como sempre o portão estava encostado apenas. Passou por ele sem pensar e seguiu até a porta de cedro pesada. E ali, exitou. A mão esquerda congelada sobre a maçaneta e a direita apertando a alça da bolça junto ao quadril.



Ouviu um barulho do lado de dentro e cerrou os olhos tentando encontrar a coragem antes de que a visse. Puxou o ar novamente e apertou a mandíbula. Abriu os olhos, a maçaneta deslizava sob sua mão, então o sorriso malicioso em seu rosto foi estampado automaticamente.



“Aconteceu algo? Ouvi o carro, mas você não entrava, achei que...” - ele olhou por cima dos ombros magros da garota parada a sua frente, tentando achar o motivo do retardo.



“Não, achei que tinha esquecido o celular no carro, estava apenas conferindo.” - Levantou a bolsa num gesto frágil.

Os olhos de ambos transpiravam cumplicidade. Ela passou por ele com um andar quase suspenso. Sabia que quando entrasse, o rastro de seu perfume o faria segui-la. Jogou a bolsa no aparador e deixou escorregar o casaco por seus braços. Deixou-o junto a bolsa e se virou.

Pensou que o olhar dele sempre tinha um quê de fotografia... sempre procurando um ângulo perfeito, sempre registrando os jogos de cores e luzes. Já os olhos dela procuravam nos dele algo além de desejo.

Riu alto com seu pensamento, um misto de divertimento e prazer, e foi para a sala de TV. Era difícil não olhar pra ele, mas era mais difícil olhar e ver que tudo não passava de um cenário, e ela de uma modelo venerada. Não, ela não era uma modelo e era por isso que ele amava fotografá-la, era natural.

Quando acordava, a luz da manhã lhe concedia uma beleza extraordinariamente singela.

Sem interpretar ela era introspectiva, era sensual, era feliz... e segundo ele, as lentes gostavam dela, nunca eram desonestas... sempre retratavam-na com devota sinceridade.



Os dedos leves deslizaram sobre o aparelho de som e a música triste começou a se desenrolar no tenor italiano que tanto amava. Não sabia que ele também gostava de ópera.

Ora não sabia muito a respeito dele.

Puxou o grampo do cabelo e o deixou a cascata de ébano cair sobre os ombros brancos e nus. As mãos pesadas invadiram sua pele e a fizeram olhar para cima em seus olhos.

Estava feito, a injeção doeria no dia seguinte, quando acordaria sozinha naquela cama enorme e fria.